A Saúde mental, Quarentena e as Eleições 2020

O Brasil e o mundo passam por um momento especial, uma turbulência silenciosa, onde o fazer é o não poder fazer nada. Um mega paradigma, que vai contra todas as formas de educação e vida até hoje propostas pela sociedade global moderna. Independente se estão no Leste ou Oeste, no Sul e no Norte do nosso planeta. Rendemos-nos a esta crise, que vai muito além de um simples resfriado, ela mexe com nossos mais íntimos instintos de vida e morte. Como no livro de Viktor Frankl, “Em busca de Sentido”, a tríade que nos assola: o medo, a culpa e a morte (o medo de pegar, a culpa de transmitir e de morrer).

 

Este mal com nome de míssil, chamado Covid-19 ou Corona, chega em todas as sociedades de uma só vez, causando todos os possíveis desconfortos sociais, quase como no filme “O dia em que a Terra parou”. 


Nesta linha, a quarentena vem destruir o cenário político local, já bem polarizado pelas últimas eleições, potencializado por conta de constantes problemas com a justiça, com os políticos continuando sendo manchete negativa. Afastando assim, cada vez mais o povo dos interesses no sistema púbico e com o destino do ente público. 


Todos estes abalos sociais vêm se arrastando por meia década, quase na sequência: impeachment, crises financeiras, prisões, descrédito nas instituições, abandono de cargos e, agora, esta quarentena, deixando cada vez mais o eleitor distante da urna. Passamos o dia 04/04/20 – o “Cabo da Boa Esperança” das eleições –, nesta data, termina a possibilidade de mudança de partido político e filiação, para quem quer ser candidato em 2020, e a obrigatoriedade do afastamento dos cargos públicos, para quem quer ser vereador e quem vai pleitear o cargo a prefeito (em alguns casos, tem um tempo maior para solicitar a exoneração). Isso atrapalha muito o andamento da política local, onde o futuro candidato poderá ficar em crise com a dualidade: ser exonerado e abandonar as suas funções na cidade no momento de crise e/ou privilegiar as eleições, ainda mais com a nova legislação eleitoral, que desobriga a avisar a desfiliação, podendo ocorrer um enorme vácuo partidário (ninguém saberá quem está e em qual partido está). A proibição de reuniões impediu as apresentações e festas partidárias para os novos filiados e futuros pré candidatos.


Hoje faltam candidatos para concorrer, para fechar a chapa mínima na maioria dos partidos, e sobram eleitores, com pouca disposição de cumprir minimamente o seu dever cívico no dia 04/10/2020 na eleição. O eleitor em casa com medo de perder o emprego e sem ver esperança nas instituições, e muito menos na política, gera uma enorme ansiedade em todo o sistema, podendo acentuar ainda mais a polarização. 


Em abril deste ano, repetimos a janela de dois anos atrás, quando o ex-presidente teve sua prisão decretada na quinta-feira, dia 05/04/2018, e a TV de todo o Brasil ficou focada no juiz, na ação e na polícia até o sábado à noite, dia 07/04/2018, dando quase 72 horas de IBOPE. Isso ocorreu dois dias antes da descompatibilização eleitoral de cargos públicos, não permitindo que os futuros candidatos manifestassem publicamente seus afastamentos e exonerações. Com isso, ninguém ficou sabendo, que o nosso ex-prefeito e ex-governador de São Paulo haviam se ausentado de seus cargos, causando um enorme prejuízo eleitoral para todos nos seus partidos e coligações. Quem sabe assim, até alterando o resultado das eleições?


O processo político se faz com pessoas, na comunidade, nas empresas e em todos os lugares. O afastamento, mesmo que essencial à vida, altera de forma indelével os resultados eleitorais. Talvez uma pá de cal nas possibilidades, e que poucos candidatos tenham êxito, pois este afastamento das bases de forma física conduz todos os candidatos para a comunicação digital, o que causará um enorme tráfego de candidatos, com números repetidos, pois cada cidade é uma eleição. Assim, é possível votar em um candidato que (você acha que é), nem da sua cidade é, e o número efetivamente ser de outro candidato na sua localidade – a comunicação digital não tem barreiras e nem logradouros.


É importante lembrar que esta eleição é a mais complexa, pela sua própria natureza, com chapa pura, sem coligação, o que aumenta significativamente o número de candidatos para disputar esses pleitos. No caso dos vereadores pela cidade de São Paulo, em 2016 foram, ao todo, 1315 candidatos por todos os partidos, e nesta eleição podemos chegar a mais de 2800 candidatos, mais que o dobro. E onde estão todos estes candidatos interessados em fazer uma política melhor, mudar o mundo e compor novas parcerias sociais?


Fomos pegos de surpresa, agora estamos na mão do destino, salvo aqueles que trabalharam com afinco desde o ano passado para montar a chapa, vislumbrando a possibilidade de ter candidatos a vereador qualificados, com propósito político e com compromisso com o povo que o elegerá.


Ainda temos tempo para pensar, mas não sei se teremos tempo para agir!

Gregor Osipoff
Gestor Público
Secretário de Formação - PV - Município de São Paulo    
Dirigente Municipal e Estadual PV

 

Política de Privacidade

Contato

Av. Nove de Julho, 3786 - Jardim Paulista, São Paulo - SP, 01406-000, Brasil

AVATAR PV NEGATIVO.png

PV Nacional: www.pv.org.br