O bem-estar animal e a pandemia

Vivemos tempos difíceis, diante da necessidade do isolamento social e de uma triste queda na atividade econômica, que provocará milhões de desempregados, todo fim de tarde se transformou em angústia e melancolia, ficamos atentos nas TVS para ouvir o número de mortos nas últimas 24 horas.


Infelizmente, acabo de ouvir que já passamos de 2741 mortes, as cenas de enterros em valas comuns em Manaus, são aterrorizantes. Decidi escrever esse texto para ajudar a refletir, dentro da minha área de atuação, que é a proteção animal, como podemos evitar novas pandemias como estas? Não sou médico, nem epidemiologista e confio nos cientistas para nos ajudar a sair desta crise, por isso, trago essas palavras para pensarmos sobre o nosso futuro e dos animais.


Estudos preliminares apontam que o coronavírus começou na vida selvagem dos mercados úmidos onde são vendidos cobras, ratos, tartarugas, pássaros, e todo tipo de animal. Mercados como estes existem em diversas partes do mundo, aqui no Brasil, graças ao movimento ambientalista, a caça é proibida, porém, todos os anos as polícias ambientais dos estados, fazem operações para desmantelar quadrilhas que também promovem verdadeiros mercados de compra e venda de animais silvestres.


Fico pensando o tamanho do atraso, quando alguém acha normal promover feiras livres para vender animais, para piorar, os relatos que temos destes ambientes são desanimadores, os animais vivem empilhados em gaiolas, passando por cima de carcaças, sem condições de higiene e sem nenhuma inspeção veterinária.


Para agravar o cenário, em muitos países, não é exigido o rastreamento para doenças, assim, um comprador sai do mercado com um animal cheio de doenças que podem infectar os humanos. Como presidente da comissão de meio ambiente, na Assembleia Legislativa de São Paulo, recebia inúmeras denúncias, de matadouros clandestinos que jogavam resíduos e restos de animais nos rios, que futuramente abastecerão nossas casas.


Se queremos nos livrar de novas pandemias, teremos que colocar na pauta das discussões políticas o tema do bem-estar animal. O coronavírus é a uma epidemia causada pelo desrespeito ao bem estar-animal, cientistas afirmam que 70% das novas doenças no mundo são zoonoses, ou seja, advém da relação brutal que nós humanos causamos aos animais.


Vale lembrar que o Ebola, também foi causado pela captura de animais selvagens. Temos que cobrar uma posição da ONU, para que todos os países do mundo proíbam o comércio de animais silvestres, esse mercado, movimenta bilhões de dólares por ano, muitas autoridades, inclusive brasileiras, não fiscalizam e investem poucos recursos para inibir tal barbaridade.


Estamos em pleno século 21, é imperdoável que aceitemos com naturalidade o tráfico de animais silvestres, além da maldade com nosso bichos, estamos descobrindo que essa atividade possibilita passar vírus aos humanos, o custo da manutenção desta barbaridade, está diante de todos nós, mortes, desemprego e sofrimento global. 


Navegando nas minhas redes, vejo muita gente culpando alguns países ou os animais pelo coronavírus, deveríamos estar fazendo o contrário, a pergunta correta é o que estamos fazendo com nossos animais para que os vírus não se desenvolvam e passem para os humanos.


Sempre quando uma nova doença aparece, a raiva dos humanos se concentra em culpar os animais, foi assim em 2018, quando vivenciamos um volta do surto de febre amarela aqui em São Paulo, os macacos bugios, que são os sentinelas da doença, ou seja, nos avisam que o vírus está solto e morrem antes que os humanos, foram duplamente afetados, morreram da doença e foram assassinados por caçadores.


Nas crises aparecem as oportunidades, essa pandemia marcará toda nossa geração, milhares vão perder a vida, espero, que como os bugios, olhemos para essas mortes como um aviso, ou mudamos a forma como lidamos com nossos animais, aumentando seus habitats e promovendo o bem-estar animal, ou infelizmente novos vírus virão e levarão novas vidas. 

Roberto Tripoli – Presidente do Diretório Municipal do Partido Verde

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