Bem vindos a Era da BioEconomia

Na semana passada, um grupo de 11 mil cientistas de 153 países publicou um artigo no periódico "Bioscience", alertando a todos sobre a necessidade emergencial de mudança da matriz energética mundial. O principal objetivo do artigo foi sensibilizar as lideranças mundiais para a redução dos combustíveis fósseis como fonte de energia.

Também na semana passada recebemos, no Congresso Nacional, Yuval Harari, historiador e filósofo israelense, autor da trilogia best-seller Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21. Harari apresentou um impressionante painel sobre o futuro da humanidade.


Para ele, os próximos grandes desafios da humanidade são três: as mudanças climáticas, o retorno à guerra e a disrupção tecnológica. Em sua apresentação, deixou claro que já estamos a caminho de um colapso ecológico, o que exige que utilizemos cada vez mais tecnologias ecoamigáveis. 

Zaki Yamani, ex-ministro do Petróleo da Arábia Saudita, afirmou certa vez: "A Idade da Pedra não terminou por falta de pedras – e a Idade do Petróleo terminará muito antes do fim do petróleo". O Brasil já é pioneiro de muitas atividades para geração de energia limpa como as hidroelétricas, o etanol e uma que cresce com vigor: o BioDiesel, um combustível renovável, biodegradável, não tóxico e mais sustentável do que o petróleo.

Os dados apontam que o Biodiesel representa uma significativa redução das emissões, tanto dos gases do efeito estufa como de outras substâncias nocivas à saúde humana. É preciso lembrar que, infelizmente, milhares de pessoas morrem no Brasil e no Mundo pela emissão de particulados oriundos do petróleo. Estudos revelam que podemos reduzir em 70% as emissões quando consideramos o ciclo de vida do biodiesel puro. Permanece uma única certeza: a população de nossas metrópoles agradecerá quando a qualidade do ar resultante do uso do biodiesel lhes proporcionar uma melhor qualidade de vida.

 

Dessa forma, poderemos reduzir consideravelmente a mortalidade e os gastos com saúde pública. A conta é básica: com menos hidrocarbonetos e monóxido de carbono na atmosfera, o número de internações também cairá.

Nesse primeiro ano de mandato aqui na Câmara dos Deputados, trabalhei para aprovar e apresentar propostas com o objetivo de transformar o Brasil no maior produtor de biodiesel do mundo. Para alcançar esse objetivo, junto com outros deputados, propusemos ampliar o investimento em pesquisa para garantir a qualidade e a estabilidade das misturas do B15 e B20 (percentual de biodiesel acrescido no diesel). 

O atual governo já se comprometeu que B12 será adotado no início de 2020 e, até 2023, o país vai atingir o B15, cumprindo o cronograma de aumento anual da mistura estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética. Por essa razão, já estamos dialogando para uma proposição de lei que preveja um novo cronograma de 2024 a 2028, com projeção de uso do B16 ao B20.

Outro ponto de destaque na Câmara dos Deputados é trabalhar para incluir conceitos de produtos sustentáveis na reforma tributária. Se queremos liderar a nova economia, temos que prever tratamentos diferenciados a produtos que melhoram as condições de saúde, reduzem os impactos sobre as mudanças climáticas e fomentam a nova economia do biodiesel brasileiro.

Um exemplo claro do potencial do biodiesel está na cidade de São Paulo. Já possuímos uma legislação que prevê a redução das emissões de gases efeito estufa no transporte público. Mas para concretizar esse sonho seria preciso trocar toda frota de ônibus da cidade por ônibus elétricos, o que faria com que os preços das passagens ficassem impeditivos. Por isso, o melhor caminho é colocar 100% de biodiesel, o que não exige a troca da frota, nem a sua adaptação. A forma mais eficiente para cumprir a lei é o Biodiesel.

Temos um longo caminho pela frente, mas é preciso reconhecer os avanços das políticas públicas. Maior exemplo disso é o Renovabio, que será um importante vetor para promoção do uso sustentável da terra para produção de biocombustíveis e assegurará a manutenção da posição de destaque do Brasil na promoção da agricultura e da matriz energética sustentáveis.

Nós, do Partido Verde, temos um grande desafio pela frente: mostrar à sociedade brasileira que os novos empregos, diante da transformação digital e da inteligência artificial, estão vinculados à economia de baixo carbono, às energias renováveis e ao desenvolvimento sustentável. Bem-vindos à era da Bioeconomia!

Deputado Federal Enrico Misasi (PV-SP)

13 de nov de 2019
 

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