CANNABIS, um recurso natural.

Todo o potencial terapêutico e a versatilidade da planta Cannabis vem sendo subestimado e ofuscado pela sua proibição enquanto muitas substâncias legais são potencialmente danosas e ao mesmo tempo são consideradas seguras para sociedade, como as álcool e o tabaco que estão enraizados em nossos costumes.

O maior desafio é cultural, e o preconceito é um dos principais fatores que impede a regulamentação da Cannabis, e não é fácil alterar uma cultura quase secular, permeada pela ignorância e hipocrisia de criminalização de uma planta.

Ao ouvir falar de Cannabis logo se pensa em maconha, e poucos sabem que este gênero botânico possui três especies de plantas. A maconha que é conhecida pelo uso social são as flores das espécies sativa e indica e a ruderalis, que não deve ser menosprezada. 

A Cannabis ruderalis é altamente versátil como matéria-prima em diversos setores da indústria desde a produção de medicamentos e suplementos alimentares, na produção de fibras têxteis, na recuperação de solos contaminados, na fabricação de papel e materiais de construção, além de ser uma alternativa para substituir o petróleo na produção de combustíveis e materiais plásticos.

Uma coisa é certa, a proibição da Cannabis só favorece a corrupção e o narcotráfico que continua com o monopólio da maconha junto com outras drogas como a cocaína e o crack que estão a venda por ai em cada esquina para quem quiser comprar, sem nenhum controle ou fiscalização.

Independente da discussão sobre o uso social da maconha, o acesso ao uso terapêutico é uma questão de saúde pública. Hoje a maconha medicinal no Brasil é uma realidade por que os pacientes foram atrás de informações sobre como produzir o seu remédio, então precisamos de uma regulamentação que atenda a sociedade e não somente as indústrias farmacêuticas.

Recentemente, no dia 10/03/2020 entrou em vigor a resolução da Anvisa que regulamentou a fabricação, importação e comercialização de produtos derivados da cannabis para fins medicinais, mas devido ao alto custo, fica inacessível para a maioria comprar os medicamentos vendidos no Brasil ou importados, a demanda pelo Canabidiol (CBD) continua sendo judicializada, por não haver a distribuição na rede pública de saúde.

É cada vez maior o número de pessoas que buscam no auto cultivo caseiro a sua autonomia e liberdade para produzir seu próprio medicamento fitoterápico artesanal, com toda gama de canabinóides da planta e não somente o CBD.  Essas pessoas correm os mesmos riscos que eu e minha mãe corremos de ser presos e processados criminalmente por cultivar uma planta e cuidar dela com amor e carinho para depois de um tempo colher  uma flor que lhe garante a qualidade de vida. 

Como ainda não há uma regulamentação que atenda aos pacientes, assim como minha mãe muitos pacientes também precisam de extratos à base de Cannabis para viver com qualidade, o direito à saúde e a implementação das políticas públicas saiu da órbita dos Poderes Executivo e Legislativo e migrou para o Poder Judiciário, mas não podemos esquecer que o processo de salvo conduto sempre começa com o ativismo. 

Raul Thame - PV/SP
 

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