Da globalização à volta ao dólmen

A globalização gerou um mundo novo sem fronteiras, igual ao início das civilizações. A modernidade trouxe a eletrônica, que é incrivelmente positiva na sua essência, mas um grande gerador de distanciamento social e que tira de nós a nossa primordial humanidade. Em contrapartida, consegue aproximar 7.000.000.000 de pessoas de forma digital, quase que instantaneamente, criando possibilidades de acessos ou contatos, o que antes demoraria dias ou até anos para chegar.

A pandemia do Covid-19 evidencia um paradigma, que faz o ser humano voltar aos tempos imemoriais de uns 10.000 anos atrás, onde começamos a viver debaixo do dólmen (domo), construção de pedra, que é muito semelhante a um abrigo, duas paredes e uma pedra superior como telhado: a nossa primeira construção de casa. Foi nosso primeiro lugar, que pudemos chamar de lar (sonho da casa própria, pois as cavernas tínhamos que compartilhar com outros animais). Criamos casas, plantamos, desenvolvemos ferramentas e a caça, para que tivéssemos alimentos o ano inteiro e deixássemos de ser nômades. Um porto seguro para o corpo, para o grupo que se defendia das maiores ameaças à sua existência. O tempo foi passando e criamos novas coisas e formas de nos sociabilizarmos; com a sabedoria, iniciamos a agricultura. Ao longo da história, nos mostramos de uma forma humana ou, de outra, desrespeitosos com os nossos semelhantes, mesmo em épocas de guerras. Sempre tivemos problemas com as questões transnacionais, dando prioridade aos conterrâneos e consanguíneos (do mesmo sangue/origem genética).

Hoje, parece que esquecemos este legado histórico que nos trouxe até aqui. Voltamos, agora, para o dólmen, nos protegendo do inimigo atroz e invisível, que está lá fora, esperando um descuido para nos atacar. Até aqui, um relato da história já largamente conhecida. Porém, se traçarmos um paralelo para comparar o início da civilização que conhecemos e o que vivenciamos nos dias atuais, surgem algumas semelhanças e pontos de atenção. Este comparativo mostra que, atualmente, estamos menos preparados para enfrentar as adversidades de relacionamentos com o grupo. Perdemos todas as habilidades “pessoais” de produção de alimentos e de se proteger, se repararmos com um olhar atento, para dentro de nós, em nossas casas. Poderíamos pensar que, se houver um colapso na produção de alimentos e bens básicos de consumo, estamos menos preparados para a sobrevivência que nossos ancestrais, pois, para nós, a “caça” é o supermercado, a geladeira, a “fazenda”. Com esse apontamento, se momentaneamente parar a economia, as fábricas, a produção de alimentos, podemos inferir que temos muito menos chances de sobrevivência que nossos antepassados de 100 séculos atrás.

Estamos perdendo nossa capacidade de pensar no coletivo, na proteção do grupo; hoje o egoísmo se expande de forma geométrica, perdemos o olhar para a nossa comunidade. A palavra pandemia – que todos gostam tanto de falar e nem sabem ao certo o significado –, mostra exatamente nosso tamanho UNITÁRIO perante todo o universo criado por nós. Hoje, somos deuses e mentores deste apocalipse social, pois geramos riquezas e bens, mas não temos o mínimo de união de forma global, para que a população possa ser atendida minimamente em hospitais ou qualquer lugar para um tratamento digno. Criamos um sistema médico moderníssimo, com equipamentos, exames, vacinas, suplementos, que não atendem a todos e temos que fazer escolhas entre quem vai viver e quem vai morrer.

 

Chegamos ao ponto em que temos que reeducar toda a população “novamente” de que lavar as mãos e ter a higiene básica são fundamentais para mantermos a nossa saúde e a do grupo. Devemos nos voltar ao nosso íntimo, lá no fundo, e rever nossos conceitos básicos de vida. Até onde estamos realmente fazendo a diferença em nossas próprias vidas? Estamos realmente fazendo alguma diferença, em algum lugar? O que significa grupo ou coletivo para cada um de nós? Ou só estamos destruindo a nossa casa, nosso dólmen que, hoje, poderíamos chamar de Planeta Terra?

 

Gregor Osipoff

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