Devido as emissões veiculares, moradores de São Paulo fumam de 4 a 5 cigarros por dia durante toda a vida.

Mesmo diante destes tristes números, o setor automobilístico deve pedir ao governo federal o adiamento por três anos da próxima fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE P8), que prevê até 2023 a adaptação para caminhões e ônibus para a tecnologia Euro 6.
O aumento do nível de poluição atmosférica, que acontece principalmente no período do inverno, pode aumentar até 12% o risco de morte por doenças respiratórias em dias de “pico” de contaminação do ar. Mas os danos à saúde não acontecem apenas nessas ocasiões. Uma exposição prolongada por meses ou anos, mesmo a níveis relativamente baixos de poluição, pode provocar doenças das vias respiratórias em pessoas saudáveis, agravar o quadro de quem já tem problemas respiratórios e também levar à morte.


Essas são conclusões de uma pesquisa realizada em São Paulo por um grupo de cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que avalia a relação entre meio-ambiente e saúde através de estudos epidemiológicos e laboratoriais. Além de colherem dados em prontos-socorros da cidade, relacionando números de atendimentos, internações e mortes por problemas respiratórios com indicadores de poluição, eles observaram os chamados efeitos crônicos da má qualidade do ar sobre o organismo, realizando testes com ratos saudáveis.


Que a cidade de São Paulo apresenta altos níveis de poluição do ar não chega a ser uma novidade. Apesar de as partículas poluentes atingirem moradores do município de uma maneira geral, a toxicidade não é igual para todos. O alerta foi dado pelo patologista Paulo Hilário Nascimento Saldiva, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


A capital paulista apresenta uma concentração média anual de partículas inaláveis — aquelas finas o suficiente para entrar no trato respiratório e se depositar no pulmão — de 29 microgramas/m3, de acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). De acordo com Saldiva, a exposição a essa poluição, a que todos os moradores de São Paulo estão sujeitos, equivale a fumar de 4 a 5 cigarros por dia durante toda a vida — mesmo que você não seja fumante.


Em corredores de ônibus como o da avenida 9 de julho, que tem grande movimento, no entanto, os níveis de concentração dos poluentes podem chegar a 500 microgramas/m3. “As novas chaminés das cidades são as avenidas”, afirma o médico, que também é diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP.

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