Da globalização à volta ao dólmen

A pandemia de coronavírus está revelando de forma cruel a profunda desigualdade que vivemos na cidade de São Paulo.


O bairro de Brasilândia, na zona norte de São Paulo, contabiliza o maior número de mortos pelo novo coronavírus na cidade. São 67, segundo levantamento divulgado pela prefeitura. O número é quase dez vezes maior do que a quantidade de óbitos no Morumbi —sete—, bairro nobre na zona sul, que é o que tem mais casos registrados: 332. 


Vale destacar, que a Brasilândia conta 17 Unidades Básicas de Saúde, além de outros equipamentos municipais, mas o único grande centro para atendimentos complexos da região é o Hospital Geral Vila Penteado, administrado pelo Governo do Estado. Os moradores ainda aguardam pela inauguração do Hospital Municipal da Brasilândia.


No Brasil, de acordo com dados divulgados, o fator de risco para que a covid-19 seja fatal é o endereço. 


Dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, revelam um aumento de 45% nas mortes nos 20 distritos mais pobres da cidade.


Nos 20 mais ricos, o aumento foi de 36%. 


Outro dado que revela essa triste realidade é a distribuição de leitos de UTI do SUS, cidadãos que moram nas periferias da cidade: apenas três subprefeituras (Sé, Pinheiros e Vila Mariana) —localizadas nas regiões mais ricas e centrais— concentram mais de 60% dos leitos em UTI do SUS no município. Enquanto isso, 20% da população (2.375.000 pessoas) vivem em sete subprefeituras localizadas nas periferias, em que não há um leito.


Os mais pobres serão os mais afetados pela doença, não podemos achar isso normal, definitivamente  a sustentabilidade não é uma característica da maior cidade da América Latina.

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