O Turcomenistão é aqui?

Turcomenistão foi destaque na imprensa internacional por ter proibido os seus cidadãos de falarem sobre o coronavírus, a palavra foi banida por decreto, até o momento, o país mantém-se como um dos poucos países no mundo que não registou oficialmente nenhum caso de Covid-19.


Se o Brasil não tivesse imprensa livre, poder judiciário e legislativo, essa seria a medida dos sonhos do Presidente Bolsonaro, como não possui condições de abolir o vírus por decreto, o presidente encontro outros caminhos para ignorar a pandemia. 


Primeiro usou cadeia nacional de rádio e TV para diminuir a doença, referindo-se a ela como uma gripezinha, um resfriadinho, com o surgimento dos primeiros mortos, ele decidiu copiar o presidente americano, e foi o porta voz do remédio, medicou os brasileiros e mandou todo mundo tomar a Cloroquina, que aliás deixou de ser recomendada pela agência de saúde americana, reportagens recentes mostram que Trump, diante dos resultados negativos, abandonou a narrativa do milagre “cloroquimíco”.


Como a COVID-19 não é uma gripe e a cloroquina não é o remédio milagroso, o presidente criou uma nova narrativa, as pessoas vão morrer de fome e não de coronavírus, justo esse governo, que nunca colocou os mais pobres no centro da agenda política, recorreu aos mesmos para novamente negar a doença, perdemos mais uma semana debatendo a falsa dicotomia entre saúde e economia, pesquisas revelam, que em nenhum momento da história humana em que passamos por uma crise sanitária, ocorreu crescimento econômico, ou seja, sem controlar a doença, não recuperaremos a economia.


Diante do aumento do número de mortes, só sobrou ao presidente mudar o Ministro da Saúde, que como médico, sabia que a única vacina que dispomos nesse momento, é o isolamento social como medida para achatar a curva e salvar vidas.


Mesmo com todas essas narrativas negacionistas, a doença continua avançando, assim sendo, só sobrou uma alternativa, inspirado no Turcomenistão, o Brasil mudou o nome da doença, estamos registrando óbitos de coronavírus como doença Respiratória Aguda Grave (SRAG).


Um estudo divulgado pela Fiocruz, revelou que o número de internações por SRAG em 2020 é o maior desde 2010. Especialistas afirmam que dados revelam subnotificação do novo coronavírus. Aumento de internações fora de época, idosos como grupo mais afetado e maior percentual de testes negativos para outras gripes são indicativos da Covid-19.


Na contagem da Fiocruz até 4 de abril deste ano, o Brasil teve 33,5 mil internações por SRAG, muito acima da média desde 2010, de 3,9 mil casos. Mesmo em 2016, quando houve um surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano.


O infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Antonio Bandeira, afirmou que “Não tem nada que justifique o aumento do número de casos de idosos. A gente teve até vacinação antecipada dessas pessoas neste ano. Pode ter certeza que é Covid-19. É provavelmente quase tudo Covid-19”.


Infelizmente, estamos diante de uma política pública de combate à epidemia que ignora a morte de milhares de brasileiros e atende aos interesses econômicos, aposta na imunização de rebanho, defendida aberta pelo presidente em diversos momentos: "A chuva está aí, vamos nos molhar e alguns vão morrer afogados". “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. Essa é a vida”. 


Nossa democracia ainda é jovem, mas jamais poderíamos imaginar que chegaria à Presidência da República alguém que menosprezasse o valor da vida, o momento exige união de todas as forças políticas, independentemente das convicções ideológicas, é necessário construir um movimento em defesa da vida dos brasileiros.

 

Turcomenistão não é aqui!

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