Óleo Mar, Ministro!

Infelizmente o Governo Federal insiste em polemizar o grave acidente que atinge o litoral brasileiro com óleo.

Nossa biodiversidade, praias, pescadores, turismo e comunidades atingidas estão em segundo plano, no momento o mais importante é atacar as ONGs, governadores e quem estiver pela frente, construir narrativas conspiratórias e se ocupar com todo tipo de assunto! Isso é mais importante que tomar medidas concretas para mitigar os impactos deste terrível crime ambiental.

O ano de 2019 será marcado pelas maiores catástrofes ambientais da história do país, Brumadinho, Amazônia em chamas e esse terrível óleo atingindo nossas maiores riquezas naturais. Evidente que não se pode culpar o Governo por tudo, porém é necessário denunciar que o desmonte da política ambiental, em curso, ampliou os impactos negativos de todos esses crimes.

No caso do Petróleo que atinge nossa costa, as evidências são gritantes, ONGs e populações locais denunciaram o derramamento desde que as primeiras manchas começaram a aparecer e nenhuma medida para contenção foi tomada,  o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água não foi colocado em prática, nenhum dos inúmeros especialistas e oceanógrafos com conhecimento foram acionados. Com uma canetada, o Presidente da República acabou com dezenas de conselhos, diga-se de passagem, atividade esta exercida sem remuneração. Quando os governantes impedem que as vozes da sociedade civil coloquem sua visão sobre as políticas públicas, reduzimos a chance de soluções pactuadas.

Para piorar o cenário, a mesma estratégia usada nas queimadas na Amazônia foi utilizada, construindo narrativas malucas ao invés de tomar atitudes concretas, a culpa primeiro foi da Venezuela e da Sheel, depois passou a ser dos governadores do nordeste e agora chegou no inimigo público número um do atual governo: as ONGs.

É importantíssimo descobrir os responsáveis, e punir com toda rigidez. Paralelo a isso, não podemos aceitar que diante da catástrofe anunciada, do enorme impacto que esse ato criminoso acarretará para as populações e para a biodiversidade, o Governo libere apenas R$ 40 mil, para comprar equipamentos de segurança para que seus 73 servidores possam atuar no combate ao óleo que suja mais de 2 mil km do litoral do Nordeste.

A polarização do debate político faz parte do processo democrático. Defender as ideologias e políticas que as pessoas acreditam, está no bojo da liberdade de expressão, mas quando tratamos da sustentabilidade de um país, diante de um crime ambiental com consequências profundas para as atuais e futuras gerações, é preciso agir primeiro, com urgência e eficiência, apontar culpados e construir teorias conspiratórias não salvará nossa biodiversidade marinha nem os empregos das comunidades que dependem do turismo, óleo mar, Ministro! Trabalhe, organize um Comitê de Crise Urgente, reúna os governadores, prefeitos, deputados, senadores, ONGS, universidades, marinha, exército, aeronáutica e comunidades locais, vamos primeiro unir forças para diminuir os impactos desta catástrofe, depois, cada um é livre para ir para as redes, apontar o dedo e construir a narrativa que bem entender! Insistimos: Óleo Mar, Ministro!

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