Meio ambiente no Brasil: enquanto o Planalto ilude, o STF esclarece


O contraste não poderia ser mais gritante. Enquanto Bolsonaro negou a devastação ambiental e vendeu na ONU a imagem de um governo “rigoroso” no combate às ilegalidades no meio ambiente, ambientalistas e especialistas mostraram no Supremo Tribunal Federal (STF) uma análise abrangente - e preocupante - sobre o estado da política ambiental e climática sob a atual gestão no Brasil.

Dois editoriais em particular reforçaram esse contraste. O Valor apontou para a incapacidade de Bolsonaro em responder ao aumento das queimadas, pelo menos através de argumentos racionais que façam sentido. Já a Folha observou que a fala presidencial, "marcada pela insistência de Bolsonaro em se refugiar numa realidade paralela", apenas contribui para alimentar desconfianças de investidores e parceiros comerciais. No Estadão, Wilson Tosta argumentou que o discurso de Bolsonaro na ONU, voltado fundamentalmente para seus seguidores no Brasil, aprofundou o isolamento do Brasil e reforçou sua imagem de vilão ambiental. "É quase uma apologia ao crime", afirmou ao UOL Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atualmente no Observatório do Clima, sobre a narrativa oferecida pelo presidente em seu discurso.

Por outro lado, a Audiência Pública realizada pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 708, sobre o Fundo Clima, ao longo de dois dias, destacou como a narrativa governista sobre a situação ambiental é insustentável quando comparada com a realidade - com desmatamento e queimadas em alta, desmonte dos órgãos ambientais, cortes orçamentários substanciais, redução das multas etc. Vale ler a análise publicada hoje em nosso website por Caio Borges (Instituto Clima e Sociedade) sobre os principais pontos das sessões. “No atual momento político do Brasil e do mundo, [a Audiência Pública] foi um raio de luz no obscurantismo intelectual que nos assombra”, escreveu.

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